domingo, 15 de novembro de 2009

Tempo de sorvete

Ah, o verão...nem chegou ainda e já estamos derretendo!!!

Por isso, nada melhor do que aproveitar o calor pra curtir um sorvete. E falar um pouco sobre ele também.

Os indícios mais antigos a respeito de algo parecido com o sorvete se encontram na China. Os habitantes desta região faziam um doce gelado com suco de fruta, mel e neve. Ícones da História Mundial, Alexandre, o Grande, e Marco Pólo foram os responsáveis pela disseminação do doce pela Europa, que acrescentou leite à delícia.

A primeira fábrica de sorvetes foi aberta nos Estados Unidos, por Jacob Fussel em 1851. Os EUA eram e ainda são o país que mais consome sorvetes no mundo todo. Foram eles que criaram, no final do século XIX a banana split, o sundae e o ice cream soda.


Mas o sorvete não faria tanto sucesso se não fosse a invenção da geladeira. Imagine só, este doce seria típico apenas de países frios. Nós, moradores de um país tropical, jamais teríamos acesso ao sorvete se não fosse o invento de Jacob Perkins. E o calor seria ainda mais insuportável..


Agradecimentos feitos à geladeira, seguimos a história...o sorvete chegou ao Brasil em 1834, em um navio vindo de Madagascar. D. Pedro II adorava sorvete de pitanga. Aliás, não demorou muito para os sorvetes ganharem um toque especial brasileiro, e hoje temos sabores como carambola, cupuaçu, manga, caju e coco.


Para quem não é frequentador de sorveterias, clique aqui e veja algumas receitas para fazer seu sorvete em casa mesmo. Agora, se você é um verdadeiro desastre culinário como esta que vos fala, clique aqui e tente montar os sorvetes do modo certo e o mais rápido possível!


Então, que venha o verão...desde que tenhamos vários picolés, taças, casquinhas, cascões e cestinhas para podermos apreciar esta delícia gelada..!



Curiosidades:

- o sorvete demorou pra fazer sucesso no Brasil, principalmente no interior. Os sertanejos achavam que o sorvete poderia desequilibrar o calor do corpo...

- o dia do sorvete é comemorado em 23 de setembro

- o sorbet, é um sorvete sem adição de leite, assim como nas primeiras receitas conhecidas, com a base em água e complemento de suco de frutas e/ou melados. Preferido em dietas pois não contém gordura, é menos cremoso que os sorvetes tradicionais.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Mulherzinha




Camila acorda tarde. Lava o rosto, escova os dentes. Passa filtro solar. Senta à mesa da cozinha planejada. Serve-se de pão com manteiga. Torradas, frutas frescas, mel. Uma pequena xícara de café, para acordar.













Adriane está com preguiça. Demorou para sair da cama com lençóis de algodão, e as pesadas cortinas não deixam que o dia nasça em seu quarto contra a sua vontade. Mas agora não há mais tempo para pensar nos sonhos ainda não concretizados. Hora de entrar no carro e sair voando para não perder a sessão no cinema.










Roberta chega ao cabelereiro, que a recebe de braços abertos. É sua cliente favorita, e por favorita entenda “a que gasta mais”. Roberta mostra na revista o corte que quer. E começa o trabalho do renomado artista. Ele sugere tratamentos novos, um sucesso no Rio de Janeiro. Ela aceita. E sai do salão ainda mais bela do que entrou.




Olívia resolveu curtir seu feriado no shopping. Precisa de um vestido, precisa de uma bolsa, precisa parar para fazer um lanche. Natural, e com Coca Light. Precisa de brincos, precisa de CDs e DVDs, quem sabe um perfume. Acha que também precisa de um donut de chocolate...






Laura toma café com suas duas amigas. Estão no lounge de uma grande loja de calçados e bolsas. Conversam sobre relacionamentos, festas, filmes. Mas principalmente sobre as compras que fizeram na loja. Sem pressa para terminar, a vendedora está no andar de baixo com as sacolas. Na dúvida entre três sandálias, Laura escolheu duas. E uma bolsa azul, “super na moda” de acordo com a vendedora.

Neste feriado, tudo remete às crianças. Contudo, para quem não convive mais de perto com nenhum pequeno, feriado é dia de descansar. E, para Camila, Adriane, Roberta, Olívia e Laura hoje é dia de descansar. Falar besteira, comer o que quiser na hora que tem vontade, ser fútil, ser feliz. Porque amanhã tudo volta à rotina normal.

domingo, 27 de setembro de 2009

Da banca, com amor

Quando cheguei à banca de jornal na esquina das ruas Sabará e Maranhão, dona Cida folheava uma revista de noivas. Via os vestidos luxuosos sonhando com sua filha mais velha. “Ela é magrinha como você, ia ficar lindo…ah, esse não, não gosto desses vestidos que deixam a pessoa parecendo um bolo!”, comenta virando as páginas da revista que acabou de chegar. Essa e muitas outras, que agora dona Cida precisa arrumar espaço – e tempo – para arrumar.

Não existe uma hora do dia em que a banca é mais movimentada. A todo momento chegam senhoras, senhores, crianças ávidas por mais figurinhas para sua coleção. “Tia, quanto custa?”. ”Um e cinquenta, mô”. Ela chama todos de “mô”.

Eu virei “mô” em pouco mais de vinte minutos. A ex-professora diz que não lembra de cenas diferentes ou engraçadas vividas desde que abriu a banca de jornal; para ela cada dia é especial. E aquele dia seria especial por ela ter tido a minha companhia. Muito carinhosa, sempre olha nos meus olhos. Diz que é para não esquecer, para me reconhecer quando eu for jornalista. “Ah mô, vendi as duas revistas Imprensa. Pra você seria ótimo, tem que estar atualizada do que acontece no seu ramo”. Foi muito bom ser parte desse grupo de amores de dona Cida.

Ela fica triste por não serem as revistas seu principal produto de venda. Acredita que maior pobreza não está no que você come ou veste, mas na cabeça das pessoas, e revista é informação. De fato, em quase duas horas na banca, somente uma pessoa comprou revista. Porque havia uma foto de sua amiga. Normalmente as pessoas compram talões de zona azul, maços de cigarro e itens colecionáveis. “Uma vez sobraram algumas dessas revistas de coleção e eu peguei pra mim. Adoro miniaturas”, diz dona Cida enquanto arruma espaço para colocar novas coleções.

As pessoas passam e dão bom dia. Há clientes que simplesmente não pedem mais; entregam o dinheiro a dona Cida pois ela já sabe o que eles querem. Uma moça vem buscar mais um volume de sua coleção, a outra, com sua cachorra saltitante, vem pegar O Estado de São Paulo. Está sem trocado, tem uma nota de cinquenta reais. “Vai na padaria mô, depois você volta e me paga”, diz tranquilamente. O rapaz vem saber se chegaram os cartões de recarga de celular, e recebe a terceira negativa de dona Cida da semana.

Chega também dona Francisca, que vem buscar as revistas da patroa. “Ela foi para o Canadá, graças a Deus”, fala dando risada com dona Cida. “Ah, já que eu não emagreço, vou levar uns doces”. E dona Cida separa doces de abóbora. Fico com água na boca. “Ah mô, não compra hoje não. Compra quando estiverem fresquinhos. Esses estão aí a quase uma semana”, me fala depois que dona Francisca já foi comer doces na casa vazia.

Acordar cinco e meia da manhã e vir de Artur Alvim, na zona leste, para Higienópolis abrir a banca é um trabalho bastante cansativo. Porém dona Cida não se importa, gosta muito do que faz e das pessoas que conhece. Tanto que faz essa pequena viagem entre bairros há quase vinte anos. “Tem jornaleiro que trabalha e mora por aqui. Eu não, e nem queria. Não me identifico com o bairro. Aqui não basta ter poder aquisitivo, tem que se sentir rico também”, comenta. E rimos juntas.